Estudo biomecânico da rigidez da osteossíntese com placas em ponte em tíbias de cadáveres humanos

OBJETIVO
Comparar a rigidez de três diferentes montagens de placa em ponte com a da haste intramedular bloqueada, em tíbias de cadáveres com fratura tipo C.

MATERIAIS E MÉTODOS
Vinte tíbias humanas captadas de cadáveres, submetidas à fratura do tipo C; quinze fixadas com placas em ponte, divididas em 03 grupos, de acordo com o tamanho das placas (10, 14 e 18 furos) e 05 fixadas com hastes intramedulares bloqueadas. Todas as tíbias foram expostas a cargas progressivas e semelhantes. Foram medidos os deslocamentos de ambos fragmentos (proximal e distal), nos planos sagital, coronal e axial do espaço, conforme incremento gradual de carga.

RESULTADO
Tíbias fixadas com placas em ponte de 18 furos apresentaram um comportamento biomecânico semelhante às fixadas com haste intramedular bloqueada.

CONCLUSÃO
Em fraturas do tipo C em tíbias há maior mobilidade do segmento ósseo distal no plano coronal, quando a fratura é fixada com placas em ponte de 14 e 18 furos que quando fixada com haste intramedular bloqueada sem fresagem. Apesar dessa maior mobilidade, os movimentos relativos entre os fragmentos fraturários nos GHB e GP18 tendem a ser semelhantes entre si.

Veja o artigo Completo

Comparação entre fixação com haste intra-medular e placa ponte

Doutor, quando posso voltar a dirigir?

No consultório de ortopedia, uma dúvida frequente dos pacientes é quando eles poderão voltar a dirigir após uma lesão/cirurgia ortopédica. Apesar de parecer uma dúvida simples e corriqueira, as evidências científicas neste tema ainda são escassas. Numa tentativa de sintetizar os conhecimentos da literatura sobre o assunto, duas importantes revistas ortopédicas (a americana Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons e a inglesa The Bone & Joint Journal) publicaram artigos recentes sobre o tema.[1,2]

Um dos pontos mais importantes no retorno à direção é a capacidade do paciente caminhar sem apoio de muletas ou bengalas. Pacientes ainda incapazes de pisar normalmente com certeza estão incapacitados de dirigir. Além disso, vale lembrar que o lado operado também conta nessa decisão, uma vez que o membro inferior esquerdo influencia pouco na direção de um carro automático, por exemplo.

Existem alguns intervalos típicos para que o paciente possa ao menos ter uma previsão do afastamento. O tempo necessário para voltar a dirigir após uma prótese de quadril ou joelho varia de 4 a 8 semanas. Já em casos de artroscopia simples de joelho, o paciente pode voltar a dirigir em uma semana. Uma reconstrução do ligamento cruzado pode precisar de até 6 semanas de recuperação. Por outro lado, fraturas podem exigir um período maior: uma fratura do tornozelo tratada cirurgicamente pode demandar até 9 semanas de afastamento. A conclusão dos estudos é que a decisão de quando voltar a dirigir deve ser feita de maneira individualizada, sendo que fatores como idade e gravidade da lesão inicial devem ser levados em consideração.

Passado o tempo necessário sem dirigir, costumo orientar o paciente a dirigir pela primeira vez em um local tranquilo e vazio, como em um bairro residencial no fim de semana. Desta maneira, ele pode fazer uma auto-avaliação de sua capacidade num ambiente sem riscos e retornar a sua vida normal de maneira gradual e segura. É importante salientar que, legalmente, o paciente é responsável pelo seus atos. Portanto, a opinião do seu médico é importante mas o motorista é o responsável pela decisão final, devendo dirigir quando sentir-se apto a fazê-lo de maneira correta.

Referências

[1] Marecek GS, Schafer MF. Driving after orthopaedic surgery. J Am Acad Orthop Surg 2013;21:696–706.

[2] MacLeod K, Lingham A, Chatha H, Lewis J, Parkes A, Grange S, et al. “When can I return to driving?”: a review of the current literature on returning to driving after lower limb injury or arthroplasty. Bone Joint J 2013;95-B:290–4.

A prótese de quadril “apita” no aeroporto?

Uma dúvida comum dos pacientes com prótese total de quadril é se eles vão “apitar” na segurança do aeroporto. A resposta é: depende em qual país você está.

Um estudo de 2011 com 143 pacientes com prótese de quadril relatou que 84% dos pacientes dispararam o alarme e necessitaram de avaliação com detector de metais manual. 69% dos pacientes disseram que a prótese de quadril causou alguma forma de inconveniente no voo.

Um estudo mais recente, de 2017, avaliou se com os novos aparelhos de segurança dos aeroportos americanos (como o da foto) esses números mudaram. Neste novo estudo, apenas 20% dos pacientes dispararam o alarme e 25% disseram que a prótese causou inconveniente no voo.

A boa notícia é que a tecnologia parece estar evoluindo para colaborar com quem tem prótese. A má notícia é que por enquanto, no Brasil, estes sistemas ainda não estão disponíveis. De qualquer forma, é importante para quem possui a prótese de quadril ter paciência ao viajar e informar ao segurança sobre a presença do implante articular que possivelmente pode disparar o alarme.