Valor prognóstico das culturas de tecido na prótese primária de quadril

Novo artigo científico publicado na revista “Hip International”. Este artigo foi decorrente da tese de mestrado do Dr. Fernando Ferro.

Resumo

Contexto: O risco de infecção após uma prótese total de quadril é pequeno porém não desprezível. A presença de infecção impacta negativamente na qualidade de vida e possui altos custos. Bactérias podem contaminar o sítio cirúrgico apesar de técnicas de antissepsia. Entretanto, há debate sobre os benefícios de identificar agentes durante o procedimento primário. Apesar de que o hábito de coletar múltiplas culturas durante a revisão de prótese de quadril seja uma prática estabelecida, esta prática nos casos primários permanece controversa. Nosso objetivo foi investigar se há valor prognóstico na cultura de amostras durante a prótese primária de quadril, buscando uma correlação entre a positividade das culturas e a presença de infecção pós-operatória.

Métodos: Amostras profundas de tecido (cápsula, osso femoral e acetabular) foram coletadas de 426 pacientes submetidos a prótese total de quadril primária eletiva. O seguimento mínimo foi de 3 anos. O perfil microbiológico das culturas foi avaliado. Os dados dos pacientes foram avaliados para identificar possíveis fatores associados a risco aumentado de infecção pós-operatória

Resultados: 54 cirurgias (12,6%) tiveram culturas positivas. 16 casos (3,8%) desenvolveram infecção, dos quais 5 apresentaram cultura positiva na cirurgia inicial. As taxas de infecção foram 9,3% nos pacientes com cultura positiva e 3% naqueles com cultura negativa (p<0,05), resultando num odds ratio de 3,34 (95% IC, 1.09 – 10.24). Pacientes submetidos a cirurgias prévias no quadril apresentaram uma taxa de infecção de 8,5%, comparado a 2,9% em pacientes sem cirurgia prévia (p<0,05).

Conclusões: A coleta rotineira de amostras microbiológicas na prótese primária de quadril não é justificada, visto que ela não muda a decisão clínica da maioria dos pacientes. Ela pode ser recomendada em casos selecionados em que há suspeita de um risco aumentado de infecção, especialmente em pacientes que já foram operados previamente (prótese de conversão).

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