Impressão 3D na Ortopedia

Gostaria de convidar para o evento “Impressão 3D em Ortopedia” que será realizado dia 28/08 na Eretz.Bio (incubadora de start-ups do Hospital Albert Einstein). Vai ter muita gente boa falando sobre este assunto inovador e promissor.

Eu darei 2 palestras: “Abrindo a cabeça para inovação” e “Implantes customizados para ortopedia”.

A inscrição é de graça e pode ser feita no link abaixo.

Esperamos vocês lá!

Abraço

https://www.sympla.com.br/impressao-3d-na-ortopedia__583721

Dor na Virilha

A virilha é um local comum de dor. Estas dores podem ter causas muito variadas, desde doencas ortopédicas, até mesmo pedra no rim ou hérnias inguinais. Devido a esta difuldade na determinação do motivo da dor, é muito frequente que os pacientes passem em médicos de diversas especialidades antes de chegar num diagnóstico correto.

Causas ortopédicas de dor na virilha incluem lesões musculares, impacto femoroacetabular, lesão do lábio acetabular, lesão da cartilagem (tanto do acetábulo quanto da cabeça do fêmur), osteonecrose da cabeça femoral, osteoartrose (desgaste) do quadril, pubalgia e fraturas por estresse do fêmur, dentre outros diagnósticos.

Devido a essa enorme gama de doenças que podem causar dor no quadril, criei um vídeo em conjunto com o canal do Youtube Dr. Ajuda, onde explicamos mais sobre as causas da dor na virilha.

 

Confiram no link abaixo!

https://www.youtube.com/watch?v=7Qr-f-TeKzA&t=78s

Inovações em Ortopedia

Esta semana estive em Cuiabá no Congresso Pantaneiro de Quadril. Evento muito interessante organizado pela Regional Mato Grosso da SBOT e da Regional Centro Oeste da Sociedade Brasileira de Quadril.

 

Além de participar de 2 mesas redondas sobre lesões esportivas no quadril, apresentei uma aula sobre Inovação em Ortopedia. Compartilho aqui o pdf desta aula. Foi uma oportunidade muito legal de discutir sobre o que está vindo pela frente na nossa especialidade.

 

Espero que gostem!

 

 

Inovação em Ortopedia

Aprendizados de um médico no Vale do Silício

Lembro quando há 3 anos um amigo veio me perguntar sobre inteligência artificial (AI) e a medicina. Ele havia lido um artigo sobre um software capaz de diagnosticar doenças oftalmológicas, e queria saber minha opinião. Do alto da minha prepotência médica disse que era impossível um programa substituir um médico, talvez num futuro longínquo.

Após um ano de estudos em Stanford, coração do Vale do Silício, me considero mordido pelo mosquito da inovação e tecnologia. Para nós que estamos no Brasil, assistindo esta revolução de longe, é difícil perceber como algumas tecnologias que imaginávamos distantes já estão acontecendo. Uma frase que ouvi bastante é: “o futuro já existe, ele só está mal distribuído”. E por aqui sobra futuro.

Andando pelas ruas de Palo Alto, vemos carros sem motorista da Waymo, subsidiária da Google, passeando pela cidade. Diversos estabelecimentos comerciais são cashless, pagamento só em cartão ou Apple pay. Abriu em São Francisco uma loja da Amazon sem caixas, você pega os itens nas prateleiras e sai da loja; a cobrança é feita automaticamente.

E a medicina nessa história? Não acreditar que esta revolução tecnológica atingirá a área da saúde é ingenuidade. As mudanças já estão ocorrendo, e num ritmo acelerado. A inovação do cuidado da saúde é centrada na necessidade do paciente, e não na necessidade do médico. É uma diferença que parece sutil, mas é um mindset totalmente diferente do que nós médicos estamos acostumados. Durante este ano participei de um curso de inovação em em Healthcare do centro de Biodesign de Stanford, responsável pela área de inovação da universidade. Foi uma oportunidade incrível para compreender melhor o processo de criação de novas idéias e produtos. Além disso, fui mentor de dois grupos de alunos que desenvolveram projetos ligados a ortopedia. Aprender e ensinar ao mesmo tempo foi enriquecedor.

Durante o curso, conversei com um empreendedor responsável por um dispositivo para tratar terror noturno, condição comum em crianças, que causa pesadelos e noites em claros (das crianças e dos pais). O produto é um sucesso e vende pela Amazon. Perguntei a ele a opinião dos médicos sobre o produto, e se ele havia realizado estudos clínicos. A idéia inicial era fazer os estudos, mas com a correria de uma start-up este plano ficou para trás. Com as consultas curtas, as mães muitas vezes não têm tempo de conversar com o médico sobre este problema. A empresa tem crescido por indicações entre pares, neste caso os pais e mães; e por reviews na Amazon. É a descentralização do conhecimento e do tratamento.

É importante lembrar que nem tudo são flores. Uma cicatriz recente neste mundo é a empresa Theranos, contada no livro Bad Blood, que vale muito a pena ler. Uma nova tecnologia supostamente revolucionária na realização de exames de sangue culminou numa empresa avaliada em bilhões de dólares. Após um escândalo noticiado à exaustão na mídia, ficou claro que se tratava de um castelo de cartas, sem nenhuma comprovação científica.

A realidade brasileira é muito diferente, não podemos nos iludir. Temos muitos desafios a vencer, e não temos a nossa disposição o dinheiro que circula por aqui. Mas temos que lutar para fazer parte do processo e não sermos deixados para trás. O primeiro passo para o médico é abrir a cabeça, descer do pedestal e ter a humildade de ouvir mais as opiniões de outras pessoas, principalmente de outras áreas do conhecimento. Sair da bolha, ouvir novas idéias, discutir e compartilhar; este é o caminho.

Sou um iniciante neste mundo, mas volto ao Brasil com vontade de continuar a aprender e me aprofundar. Um novo ano começou, estou feliz e ansioso com meu retorno ao nosso país. Um excelente 2019 a todos!

Artigo sobre tratamento do impacto femoroacetabular e lesão do lábio acetabular com fisioterapia

Na edição deste mês da revista científica American Journal of Sports Medicine foi publicado o artigo “Nonoperative management of femoroacetabular impingement”.  Os pesquisadores avaliaram os resultados do tratamento não cirúrgico do impacto femoroacetabular e da lesão do lábio acetabular.

 

Foram estudados 93 quadris de 76 pacientes entre 10 e 21 anos com dor no quadril diagnosticados com impacto femoroacetabular e lesão do lábio acetabular. Os pacientes foram orientados a realizar um período de repouso de atividades esportivas por 6 semanas e encaminhados para fisioterapia. O foco principal foi a estabilização do core (musculatura central). A medida que os pacientes melhoravam os sintomas, a atividade esportiva era re-introduzida lentamente. Os pacientes eram desencorajados a realizar atividades com flexão profunda do quadril. Se eles não melhorassem com este tratamento inicial, era oferecido a eles uma infiltração (injeção) intra-articular (dentro do quadril) de corticóide. Casos que não melhoraram após a fisioterapia e infiltração foram submetidos a correção cirúrgica através da artroscopia do quadril.

 

Após um acompanhamento mínimo de 2 anos 69.9% dos quadris foram tratados com fisioterapia e descanso, 11.8% dos quadris necessitaram de infiltração  mas não foram submetidos a cirurgia, e 18.3% dos quadris necessitaram de artroscopia. Não houve diferença clínica, avaliada pelo escore clínico Harris Hip Modificado entre os 3 grupos. Como conclusão, mais de 80% dos pacientes foram tratados sem cirurgia.

 

Pessoalmente acredito na possibilidade de tratamento do impacto do quadril sem cirurgia. Costumo sempre indicar para meus pacientes um período de reabilitação antes de indicar um procedimento mais invasivo. Mesmo que o paciente necessite de cirurgia, este tempo não será perdido. Um paciente com melhor força muscular reabilitará mais rapidamente após a cirurgia. A dúvida que fica é se estes pacientes que não foram operados terão maior chance de desenvolver artrose (desgaste) precoce do quadril. Ainda não temos esta resposta, e apenas com o acompanhamento destes pacientes por tempo maior poderemos chegar a uma conclusão.

Confira o artigo completo

Protocolo de fisioterapia utilizado pelos pesquisadores

Pennock, Andrew T., James D. Bomar, Kristina P. Johnson, Kelly Randich, and Vidyadhar V. Upasani. 2018. “Nonoperative Management of Femoroacetabular Impingement: A Prospective Study.” The American Journal of Sports Medicine 46 (14): 3415–22.

Doutor, quando posso voltar a dirigir?

No consultório de ortopedia, uma dúvida frequente dos pacientes é quando eles poderão voltar a dirigir após uma lesão/cirurgia ortopédica. Apesar de parecer uma dúvida simples e corriqueira, as evidências científicas neste tema ainda são escassas. Numa tentativa de sintetizar os conhecimentos da literatura sobre o assunto, duas importantes revistas ortopédicas (a americana Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons e a inglesa The Bone & Joint Journal) publicaram artigos recentes sobre o tema.[1,2]

Um dos pontos mais importantes no retorno à direção é a capacidade do paciente caminhar sem apoio de muletas ou bengalas. Pacientes ainda incapazes de pisar normalmente com certeza estão incapacitados de dirigir. Além disso, vale lembrar que o lado operado também conta nessa decisão, uma vez que o membro inferior esquerdo influencia pouco na direção de um carro automático, por exemplo.

Existem alguns intervalos típicos para que o paciente possa ao menos ter uma previsão do afastamento. O tempo necessário para voltar a dirigir após uma prótese de quadril ou joelho varia de 4 a 8 semanas. Já em casos de artroscopia simples de joelho, o paciente pode voltar a dirigir em uma semana. Uma reconstrução do ligamento cruzado pode precisar de até 6 semanas de recuperação. Por outro lado, fraturas podem exigir um período maior: uma fratura do tornozelo tratada cirurgicamente pode demandar até 9 semanas de afastamento. A conclusão dos estudos é que a decisão de quando voltar a dirigir deve ser feita de maneira individualizada, sendo que fatores como idade e gravidade da lesão inicial devem ser levados em consideração.

Passado o tempo necessário sem dirigir, costumo orientar o paciente a dirigir pela primeira vez em um local tranquilo e vazio, como em um bairro residencial no fim de semana. Desta maneira, ele pode fazer uma auto-avaliação de sua capacidade num ambiente sem riscos e retornar a sua vida normal de maneira gradual e segura. É importante salientar que, legalmente, o paciente é responsável pelo seus atos. Portanto, a opinião do seu médico é importante mas o motorista é o responsável pela decisão final, devendo dirigir quando sentir-se apto a fazê-lo de maneira correta.

Referências

[1] Marecek GS, Schafer MF. Driving after orthopaedic surgery. J Am Acad Orthop Surg 2013;21:696–706.

[2] MacLeod K, Lingham A, Chatha H, Lewis J, Parkes A, Grange S, et al. “When can I return to driving?”: a review of the current literature on returning to driving after lower limb injury or arthroplasty. Bone Joint J 2013;95-B:290–4.

A prótese de quadril “apita” no aeroporto?

Uma dúvida comum dos pacientes com prótese total de quadril é se eles vão “apitar” na segurança do aeroporto. A resposta é: depende em qual país você está.

Um estudo de 2011 com 143 pacientes com prótese de quadril relatou que 84% dos pacientes dispararam o alarme e necessitaram de avaliação com detector de metais manual. 69% dos pacientes disseram que a prótese de quadril causou alguma forma de inconveniente no voo.

Um estudo mais recente, de 2017, avaliou se com os novos aparelhos de segurança dos aeroportos americanos (como o da foto) esses números mudaram. Neste novo estudo, apenas 20% dos pacientes dispararam o alarme e 25% disseram que a prótese causou inconveniente no voo.

A boa notícia é que a tecnologia parece estar evoluindo para colaborar com quem tem prótese. A má notícia é que por enquanto, no Brasil, estes sistemas ainda não estão disponíveis. De qualquer forma, é importante para quem possui a prótese de quadril ter paciência ao viajar e informar ao segurança sobre a presença do implante articular que possivelmente pode disparar o alarme.